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Pesquisa
revela que Brasil avança e diversifica em metodologias
de avaliação da Educação

Para
aprimorar o uso desse recurso, o país deve criar um currículo
nacional comum
A Fundação Victor Civita (FVC) realizou, sob a coordenação
do inglês Nigel Brooke, professor convidado da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do Grupo de Avaliações
e Medidas Educacionais (Game), a pesquisa A Avaliação
Externa como Instrumento da Gestão Educacional nos Estados.
O estudo teve como objetivo descrever e refletir sobre os diferentes
sistemas de avaliação das Secretarias de Educação
em estados.
O estudo revela a diversificação e aprimoramento
das metodologias para avaliação da Educação
no Brasil, assim como na forma que os seus resultados são
utilizados na tomada de decisão de gestores das redes e
escolas. Uma das razões para esse avanço é
a atual tendência de mudança de paradigma da gestão
pública, mais voltada para o acompanhamento e controle
dos resultados dos serviços oferecidos à população.
Também indica a falta de um currículo básico
e de expectativas de aprendizagem que possibilitem a existência
de parâmetros comuns nos sistemas de avaliação
externa em larga escala. Outro ponto importante é a necessidade
de discutir e aprimorar os métodos e critérios para
análise dos resultados das políticas de avaliação
já implementadas.
De forma inédita, a pesquisa também criou uma classificação
do uso dos resultados das avaliações:
Avaliação
monitoramento, planejamento e pesquisa de programas
Fornecimento
de informações sobre a aprendizagem dos alunos para
as escolas e definição de programas de formação
continuada de professores
Informação
para a sociedade
Alocação
de recursos
Composição
de políticas de incentivos salariais
Avaliação
de desempenho do professor
Certificação
de alunos ou escolas
Na maioria das vezes, essas formas de utilização
dos resultados representam contribuições importantes
para a melhoria da qualidade da Educação. Porém,
o estudo afirma que se deve ter muita cautela no seu uso. É
o caso, por exemplo, das políticas de responsabilização
com consequências significativas para docentes, escolas
ou alunos quando associam a avaliação do docente
aos resultados alcançados por alunos, independentemente
de histórico ou cenários locais. A responsabilização
deve ser implantada com cautela pois pode promover um ensino dedicado
apenas à preparação para provas.
As avaliações representam um avanço
importante na Educação brasileira. Para melhorar
o uso desse recurso, a criação de um currículo
ou de expectativas de aprendizagem básicas é fundamental
um conjunto que direcione e alinhe também a formação
inicial de professores. Além disso, é preciso aprofundar
a discussão sobre o uso dos instrumentos e a análise
dos resultados, afirma Angela Dannemann, diretora-executiva
da Fundação Victor Civita.
É preciso, também, refletir sobre os mitos gerados
pela introdução da avaliação educacional
no país, que usa um mesmo indicador para diversas ponderações
acerca da melhoria do ensino, da avaliação docente
e do desempenho de alunos. Por isso, é importante
promover orientações técnicas frequentes
às redes e escolas sobre o resultado das avaliações
de forma a esclarecer e alinhar sua aplicação e
resultados, explica a diretora-executiva.
19
de janeiro de 2012
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