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Mulher,
você merece algo melhor do que o cigarro

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde, OMS,
escolheu como tema para as atividades comemorativas do Dia Mundial sem
Tabaco, 31 de maio, "Gênero e tabaco com ênfase no
marketing para mulheres". As ações visam a alertar
sobre as estratégias que a indústria do tabaco utiliza
para atingir o público feminino e acerca dos males que seus produtos
causam à saúde da população e ao meio-ambiente.
Um cenário preocupante
O futuro da epidemia global do tabaco entre as mulheres pode ser visto
nos hábitos das meninas de hoje. Em várias partes do mundo,
o consumo de produtos de tabaco entre as jovens tem sido incrementado.
O fato aponta para a possibilidade de aumento de prevalência entre
as mulheres do futuro, já que os adolescentes que fumam são
susceptíveis a se tornarem fumantes regulares na vida adulta.
Neste ano, a campanha tem como objetivo chamar a atenção
sobre os efeitos negativos do marketing direcionado para mulheres e
meninas. Nessa perspectiva, a intenção é mobilizar
os 170 Estados Partes da Convenção-Quadro para Controle
do Tabaco, para que proíbam totalmente a propaganda e a promoção
de produtos de tabaco, assim como o patrocínio de eventos por
esses produtos.
Dados prejudiciais à saúde
O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso
na primeira gestação. O atraso na concepção
reflete-se numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução,
como interferência na gametogênese ou na fertilização,
dificuldade de implantação do óvulo concebido ou
perda subclínica, após a implantação do
óvulo. Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam
que o tabagismo materno influi mais decisivamente na fertilidade do
casal do que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo
feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema
masculino, afirma o Prof° Dr. Joji Ueno, ginecologista, diretor
da Clínica GERA.
Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os
efeitos da dependência do tabaco era mais forte nos homens, mas
à medida em que novas gerações de fumantes foram
chegando verificou-se que, as mulheres são igualmente ou mais
suscetíveis aos malefícios do fumo, devido às peculiaridades
próprias do sexo, como a gestação e o uso da pílula
anticoncepcional.
A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer
de colo de útero, menopausa precoce (em média 2 anos antes)
e dismenorreia (sangramento irregular), afirma Joji Ueno, responsável
do setor de vídeo-histeroscopia ambulatorial do Hospital Sírio
Libanês.
O risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite
em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais e fumam chega a
ser dez vezes maior do que o das mulheres que não fumam e usam
este método de controle da natalidade. Segundo dados do
INCA, o tabagismo também é responsável por
40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das
mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos
de idade.
Problemas durante a gestação
Graves complicações na saúde feminina também
podem resultar do ato de fumar durante a gravidez. Abortos espontâneos,
nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de
recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios
de hemorragia ocorrem mais frequentemente quando a mulher grávida
fuma, alerta o médico.
A gestante que fuma apresenta mais complicações durante
o parto e tem o dobro de chances de ter um bebê de menor peso
e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não
fuma. Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido
de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção
pelo organismo materno.
De acordo com dados do INCA, um único cigarro fumado por uma
gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos
cardíacos do feto devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho
cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão
dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.
Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem
somente do hábito de fumar da mãe. Entre as mulheres
que convivem com fumantes, principalmente seus maridos, há um
risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão em relação
àquelas cujos maridos não fumam. Quando a gestante é
obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro
ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que
pelo sangue são repassadas para o feto, alerta o ginecologista
Joji Ueno, diretor da Clínica GERA.
31 de maio de 2010
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