Obesidade Infantil


Por Silvana Martani

A obesidade e o sobrepeso infantil sempre existiram, mas, nos últimos anos, esse problema vêm se agravando pela mudança de hábito das famílias. Os hábitos não se modificaram apenas nas mesas, mas na sociedade como um todo. Com o aumento da violência e a explosão dos grandes centros urbanos, os hábitos sociais mudaram de acordo com a necessidade e comodidade das pessoas. As crianças, que antes podiam brincar livres nas ruas ou imediações de suas casas, agora passam seu tempo livre em shoppings ou quartos e quintais reduzidos e, por conta disso, os brinquedos intimistas se proliferaram: games, jogos, desenhos na TV, internet.

Com os pais tendo que sair para trabalhar e com tempo reduzido para pensar nos cardápios, ou ainda sem condições de presenciarem as refeições das crianças, cada vez mais elas comem o que gostam; e, sem dúvida, o que gostam não tem nada a ver com legumes e verduras. Agüentar uma criança reclamar da comida ou se recusar a comer não é nada fácil como também não é nada fácil o que a criança agüenta. Basta estar acima do peso para virar a baleia, o gordo, balofo, e fofão dos amigos da escola ou do clube. Todo mundo tira uma casquinha e o apelido vira referência.

Com isso, a criança começa a se acanhar e passa a chamar a atenção para outros atributos que não o seu corpo, como excesso de humor ou de crítica aos colegas, ou ainda para sua inteligência, fica com vergonha de ir à praia ou ao clube, pois tem de se expor e fica sem motivação para todos os exercícios em grupo, com medo de ser ridicularizado. Neste ponto, já existe um prejuízo considerável à auto-estima e comer pode ser um grande consolo.

Não estamos aqui fazendo nenhuma campanha contra qualquer alimento, diversão ou estilo de vida, mas um apelo à qualidade. Nessa linha, comer em frente à TV está fora, pois seu filho precisa ver o que come; alimentos coloridos e bem arrumados no prato (misturar tudo é para o bichinho de estimação) ajudam o cérebro a comer também. Os sanduíches podem ser reduzidos a uma vez por semana, os sucos ou água podem substituir os refrigerantes em alguns dias. Comprar menos guloseimas e distribuí-las no mês não só alivia o bolso, mas também o peso de quem as consome.

Nos finais de semana, convide seu filho para caminhar, andar de bicicleta. Converse com ele durante o passeio, pergunte da escola, dos amigos, ocupe uma parte da manhã ou tarde e libere o resto do dia para que ele faça o que quiser. Não chame seu filho de preguiçoso ou mole só porque ele diz não gostar de esportes. Na verdade não é do esporte que ele não gosta, mas de estar exposto e ser ridicularizado. Basta conversar com ele sobre essas oportunidades e tentar incentivá-lo. Dependendo do que você escutar, leve-o ao médico endocrinologista, dê a ele a oportunidade de conversar com um psicólogo, pois esses profissionais são treinados para ajudar seu filho.

Com isso, certamente, estaremos ajudando nossas crianças a crescerem felizes e em paz com seus corpos.

Silvana Martani é psicóloga e especialista em obesidade da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa.

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