Pais devem estar atentos para a fibrose cística



Tosse, diarréia crônica, catarro, chiado no peito, diminuição no peso e suor mais salgado que o normal. O último sintoma pode ser facilmente identificado através de um beijo e caracteriza suspeita de Fibrose Cística. Conhecida também como Mucoviscidose, a doença é muitas vezes confundida com outros problemas respiratórios, o que exige atenção total dos pais. A doença é hereditária, não contagiosa e ainda não tem cura. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que, no Brasil, 1,5 mil pessoas sofrem de Fibrose Cística.

Os portadores de FC têm reduzida a quantidade de água da secreção dos brônquios (canais que se ramificam nos pulmões), o que a torna espessa e, portanto, mais aderente às paredes brônquicas. Isto acaba comprometendo a limpeza desses canais e facilitando a ocorrência de infecções no aparelho respiratório. A FC pode provocar ainda o bloqueio dos dutos do pâncreas, o que impede a chegada das enzimas digestivas aos intestinos. Apesar de afetar mais os pulmões e o pâncreas, a doença pode comprometer o bom desempenho de diversos órgãos.

A Fibrose Cística é diagnosticada pelo teste do pezinho e confirmada através do teste de suor. Os portadores de FC precisam de um cuidado especial com a alimentação. Pela dificuldade de absorção de alguns nutrientes, os portadores de FC precisam adquirir cerca de 30% a mais de calorias do que uma criança normal. Ingestão de muito líquido é outra recomendação e, em alguns casos, dose extra de sal. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são as únicas chances de garantir à criança portadora do problema qualidade de vida.

Hospital lança campanha de conscientização
No dia 31 de agosto, o Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba lançará uma campanha de conscientização contribuindo para o fortalecimento do Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística, comemorado em 5 de setembro. A campanha é mais uma ação de prevenção realizada pelo hospital, reforçando assim seu papel como democratizador de informações.

O Hospital Pequeno Príncipe atende atualmente 60 casos de fibrose cística. Paulo Kussek, pneumologista do hospital, coordenou a elaboração de um folder e uma cartilha com informações necessárias para identificação da doença e convivência com a criança portadora. Esse material será encaminhado para todas as unidades de saúde de Curitiba, para as 24 associações filiadas da Associação Brasileira de Mucoviscidose (Abram) espalhadas pelo Brasil e ainda para 971 espaços de educação de Curitiba (Faróis do Saber, Núcleos Regionais de Educação, Centros Municipais de Educação Infantil, Unidades do Piá, Centros de Atendimento Especializados e escolas de ensino infantil e fundamental).

Os professores que trabalham nessas unidades vão receber ainda uma carta com orientações sobre como promover a integração das crianças portadoras de FC no ambiente escolar, respeitando as suas necessidades (ingestão de medicamentos, uso freqüente do banheiro, entre outros), sem causar-lhes constrangimento.

A ação acontecerá em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, Secretaria Municipal da Saúde, Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe), Sociedade Paranaense de Pediatria, Laboratórios Roche e Associação Brasileira de Assistência à Mucoviscidose (Abram).

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