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Cefaléia:
ninguém precisa viver com ela
Quem faz esta afirmação é o neurologista do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, Dr. Antonio Cézar Galvão. “Hoje em dia com os novos medicamentos e as terapias alternativas só sofre de dor de cabeça quem quer e não é mais preciso perder dias de trabalho ou convívio social”, relata. O primeiro passo para o tratamento da dor de cabeça é descobrir sua origem e algumas vezes isto requer uma minuciosa investigação por parte do médico. Na prática, as dores de cabeça podem ser divididas em dois grupos: primárias – a grande maioria – e secundárias – menos freqüentes. Nas primárias, a dor não é um sintoma de lesão estrutural ou de outra doença e por isto é diagnosticada apenas pelas suas características clínicas, tais como tipo, local, duração e sintomas associados. Já as secundárias são decorrentes de alguma causa orgânica como traumatismos, problemas vasculares, uso de medicamentos, tumores do cérebro e diversas outras doenças. Porém, estatísticas apontam que menos de 10% das cefaléias estão relacionadas a este grupo. Dentre as cefaléias primárias, as mais freqüentes são as tensionais e as enxaquecas. A cefaléia tensional geralmente está relacionada a tensões emocionais ou físicas (stress, ansiedade, fadiga). A sua forma mais freqüente de apresentação é dor nos músculos do pescoço e do ombro e do couro cabeludo (fronte e têmporas), mas predominando na região da nuca ou base da cabeça. Embora costume se apresentar bilateralmente, de maneira aguda, esporádica, leve e moderada, também pode se desencadear num quadro crônico persistindo diariamente por meses e até anos. A enxaqueca se apresenta em crises sucessivas, é pulsante, geralmente intensa, localizada muitas vezes de um só lado da cabeça. Ocorre simultaneamente com quadro de náuseas, sensibilidade à luz e ao barulho, podendo durar horas ou dias. Também é conhecida por acometer mais mulheres do que homens, na proporção de 3 para 1, respectivamente. Embora suas causas não sejam totalmente conhecidas, acredita-se que a Enxaqueca esteja relacionada a disfunções neuroquímicas no cérebro com tendências hereditárias, visto que parentes de enxaquecosos mostram maior probabilidade de tê-la. Também costuma ser freqüente no período pré-menstrual nas mulheres, geralmente iniciando dois dias antes do ciclo e perdurando até o término do mesmo. Existem teorias que afirmam que isto ocorre por mudanças do metabolismo feminino neste período, tais como alterações hormonais, redução das endorfinas, transtornos na ação da serotonina, que teriam interferência no desenvolvimento da enxaqueca. Algumas crendices persistem, inclusive entre os médicos, relatando que na maioria das vezes uma dor de cabeça se deva a sinusites ou problemas oculares, principalmente em crianças. Na verdade tais problemas são causas pouco comuns de cefaléia e mostram outras características como secreção purulenta, congestão nasal e febre, por exemplo. Mesmo em crianças as causas mais freqüentes de dor de cabeça são a enxaqueca e a cefaléia tensional. Tratamento A alimentação é outro fator importante no processo de dor de cabeça. Ficar períodos muito longos sem se alimentar ou comer produtos cujas substâncias interferem na química cerebral, podem desencadear quadros de enxaqueca. O consumo do café, por exemplo, pode tanto ajudar como piorar uma dor de cabeça, de acordo com a sua causa. A cafeína ingerida moderadamente pode melhorar dores de cabeça, tanto assim que é componente de diversos medicamentos para cefaléias. Entretanto a ingestão costumeira de café (ou chá preto, chá mate e refrigerantes com cafeína) em grandes quantidades induz ao fenômeno da tolerância-dependência em que a falta da cafeína faz aparecer dor de cabeça requerendo o uso de doses mais e mais freqüentes para o alívio da cefaléia. Outros vilões da dor de cabeça são o chocolate, o álcool, alimentos gordurosos, muito condimentados, conservas e embutidos. “Eles podem desencadear crises de enxaqueca porque contêm substâncias que atingem o cérebro influenciando alterações neuroquímicas. No chocolate se atribui isto à feniletilamina, no queijo e vinho tinto à tiramina e nas conservas aos nitritos”, comenta Dr. Antonio Cézar. Outros dois grandes aliados para a prevenção da dor de cabeça são o sono equilibrado e as atividades físicas. No primeiro caso tanto o excesso como a falta de sono pode desencadear enxaqueca, e o exercício físico melhora o tônus vasomotor do crânio. Um aviso importante: a automedicação e o excesso de ingestão de analgésicos em casos de dor de cabeça deve ser evitada, pois além de mascarar possíveis doenças, pode causar o efeito rebote e a redução das endorfinas no cérebro com evolução para a cefaléia crônica diária, que se torna um problema bem mais difícil e complicado de ser tratado. Quando a dor de cabeça passa a ser freqüente, ou seja, com mais de 3 episódios por mês, o ideal é procurar um especialista. Seja qual for a origem da dor de cabeça, sempre haverá algum tratamento que traga a qualidade de vida de volta ao paciente. Na maioria das vezes simples mudanças de hábitos já ajudam a melhorar bastante o quadro.
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