Os benefícios da fisioterapia no tratamento da dor

 

Muito se divulga sobre os tratamentos da dor sob o enfoque médico, principalmente em relação aos medicamentos utilizados nos mesmos, mas pouco se relata sobre a prática da fisioterapia para o alívio da dor. Dentro do contexto de tratamento multidisciplinar, a fisioterapia tem um papel fundamental na reabilitação global dos pacientes, possibilitando o relaxamento muscular e o alívio sintomático da dor, o que conseqüentemente provoca uma melhora na qualidade de vida dos pacientes.

“As vantagens da aplicação da fisioterapia são inúmeras e em alguns casos é possível até reduzir a ingestão de remédios”, comenta Diva Fukuma, fisioterapeuta do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho.

Hoje, as técnicas mais utilizadas pelos fisioterapeutas para o tratamento da dor são:
Terapia Miofascial: para entender esta terapia, é preciso entender a fáscia, um tecido conectivo que exerce uma função de suporte dentro do corpo, formando uma estrutura ao redor das vísceras e estabilizando articulações. A terapia miofascial libera os desequilíbrios e restrições deste tecido para restabelecer o mecanismo. Para isso, aplica-se movimentos com pressões de variadas intensidades para promover o relaxamento fascial, diminuindo a tensão no tecido e desativando os pontos de dor.

RPG: a reeducação postural global é eficaz principalmente no combate das dores musculares agudas ou crônicas, problemas articulares, neurológicos e ortopédicos.

Cinesioterapia: terapia por meio de movimentos passivos, ativos, ativos resistidos e movimentação passiva. Pode ser aplicada junto com outras terapias e promove ganho da amplitude de movimento, alongamento e flexibilidade.

Massoterapia: utilizada há mais de 3000 anos, esta terapia é identificada como o remédio mais antigo para a dor. Faz com que os tecidos passem de um estado de tensão a um estado de relaxamento. Os efeitos são analgesia e relaxamento muscular.
Eletroterapia: utilização de correntes elétricas para o relaxamento muscular, a melhora da circulação local e aumento do calibre dos vasos. É indicado para o alívio da dor aguda e para o tratamento da dor crônica.

Crioterapia: aplicação de agentes físicos (frio) em determinados locais do corpo (compressas geladas, banhos de imersão, spray resfriante etc) para bloquear a condução nervosa do estímulo doloroso e auxiliar na redução de processos inflamatórios e de edemas. É indicada para pacientes com traumatismo agudo, dor crônica músculo-esquelética, espasmo muscular, espasticidade, tendinites, artrite reumatóide, patologias agudas de disco e síndrome dolorosa miofascial.

“O tempo de tratamento de cada paciente varia de caso para caso. Como a dor gera ansiedade e tensão, a maior parte das terapias utilizadas pelos fisioterapeutas busca o relaxamento do paciente, fazendo com que ele aprenda formas de alívio das síndromes dolorosas e resgate o prazer em suas atividades diárias”, explica Diva.

Entendendo a dor
A dor tem sido objeto de estudos científicos no mundo todo, tornando-se um constante desafio para médicos e profissionais que lidam com o problema. Desta forma, cada vez mais a medicina busca avaliar o sofrimento humano e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

No passado, a dor foi traduzida como expressão da agressão ou simplesmente no contexto teológico, como fonte de sofrimento e punição. Atualmente é considerada um alerta de que algo no organismo não está bem, podendo comprometer a integridade física ou funcional do indivíduo.

É importante explicar que existem dois tipos de dor: a aguda, causada por um traumatismo, um procedimento cirúrgico ou uma inflamação e que geralmente passa logo (por exemplo, apendicite e cólica renal), e a dor crônica, que exige cuidados constantes, pois debilita e gera depressão porque o indivíduo não tem alívio rápido (por exemplo, fibromialgia e lombalgia). Em geral, ela não deriva de uma só causa, mas sim de vários fatores que se interagem e favorecem seu desenvolvimento.
Cada pessoa sente dor de um jeito e tem determinada tolerância a ela. Por causa disso é difícil quantificá-la, pois em sua percepção estão embutidas características culturais, ambientais, de sexo, idade e história pregressa.

O conceito de ser a parceira inseparável da doença deixou de ser aceito e hoje há controle para os mais diversos tipos de dor, desde enxaqueca, problemas reumáticos até câncer.

A terapia da dor chegou ao Brasil há mais de 20 anos e no Brasil já existem as clínicas para tratamento de dor, ou seja, centros especializados no tratamento multidisciplinar de doentes. O que elas pregam é que o indivíduo não é só coração, pulmão, estômago. Há uma série de fatores psicossociais que interferem no funcionamento do organismo e que quando não são o motivo direto da doença, podem interferir no tratamento, e por isso devem ser tratados em conjunto. Assim, os pacientes necessitam ser tratados por diversos profissionais simultaneamente, que dimensionam, além das características sensitivas da dor, também as afetivas e cognitivas.

Voltar para a Seção Saúde
Leia MaisVoltar para a página principal
Voltar para a Página Principal
Leia MaisVer matérias de arquivo