Obesidade infantil entra na pauta das escolas de São Paulo

O excesso de peso na infância, que provoca inúmeras doenças na vida adulta, deixou de ser uma preocupação exclusiva dos pais e já mobiliza as escolas.

A explosão da obesidade é uma preocupação mundial. Pesquisas recentes concluíram que 26% das crianças americanas, com idades entre 8 e 16 anos, passam quatro ou mais horas diárias em frente à TV. Esses estudos mostram que o hábito pode levar à obesidade infantil. No Brasil, cerca de 40% da população adulta tem excesso de peso, o que corresponde a 34 milhões de pessoas. No entanto, a questão merece atenção redobrada quando o alvo são as crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, na década de 80, apenas 3% delas estavam acima do peso. Hoje, elas representam mais de 15% dos brasileiros com obesidade.

A preocupação com a evolução da doença motivou o colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, a criar um programa de controle de composição corporal e avaliações físicas periódicas com alunos da Educação Infantil à 2a série do Ensino Fundamental. O programa desenvolvido pela escola utiliza o parâmetro antropométrico, que avalia o índice de massa corpórea (IMC), o mais adotado, na prática, por apresentar boa correlação com a percentagem de gordura corporal. Após a coleta de dados, análise e avaliações, os resultados são encaminhados aos pais, que são aconselhados a corrigir os hábitos alimentares da família.

Vida moderna
Uma das causas da obesidade é a predisposição genética, mas nas últimas décadas a vida moderna tem criado condições para o desenvolvimento da doença. "O erro alimentar, provocado pelo consumo excessivo de alimentos com alto teor de carboidratos e de gorduras, como refrigerantes, bolachas e salgadinhos, é um dos fatores que contribui para o agravamento do problema. Outro é o sedentarismo. "Com o aumento da violência urbana as crianças deixaram de caminhar, de brincar nas praças e de andar de bicicleta. Hoje elas ficam confinadas em casa e passam muito tempo deitadas ou sentadas em frente à tevê, jogando vídeogame ou na Internet e não queimam calorias", constata o professor Bertanha, responsável pelo programa.

O que fazer?
É considerada obesa a criança que pesa acima de 20% de seu peso ideal. Os períodos críticos do surgimento da obesidade são os 12 primeiros meses de vida, a fase pré-escolar e a puberdade. Para o tratamento do obeso infantil, os especialistas recomendam a atenção a algumas regras:

Cortar calorias nas refeições - Os pais não devem superalimentar seus filhos à mesa. O ideal é repensar os hábitos alimentares da família, cortar calorias e conhecer o valor nutricional dos alimentos.
Limitar os lanchinhos - Os pais não devem forçar seus filhos a comer frutas e vegetais, mas devem limitar a oferta de guloseimas na dispensa. A criança dificilmente aceitará frutas se tiver biscoitos e outras massas ao seu alcance.
Evitar fast foods - Os pais devem reduzir gradativamente as saídas para lanchonetes e outros fast foods.
Incentivar a prática de atividades físicas - Exercícios são indispensáveis para a criança queimar calorias e reduzir o excesso de gordura.
Reduzir o tempo de TV - Estudos têm mostrado a relação direta entre assistir TV e jogar videogame ou ficar no computador e a obesidade infantil. Comer em frente à TV também é prejudicial. A criança deve ver o que está comendo.

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