Carência de vitaminas do Complexo B está entre as que mais atingem população mundial, afirma especialista


Estudo com amostras populacionais verificaram que a deficiência de vitaminas do Complexo B é um dos déficits nutricionais com maior incidência na população mundial, afligindo principalmente os indivíduos em fase de crescimento, afirma Dr. Mauro Fisberg, chefe do Centro de Adolescentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Centro de Pesquisas Aplicadas à Saúde da Universidade São Marcos.

O Complexo B é formado pelas vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9 e B12, sendo importante o consumo equilibrado de cada uma delas para evitar a ocorrência de seqüelas peculiares ao déficit isolado de cada um desses micronutrientes. Suas fontes naturais são verduras, cereais integrais, leguminosas, carnes vermelhas e brancas, fígado, ovos e germe de trigo etc.

Dentre os principais sintomas da carência dessas substâncias estão anorexia, alterações e confusões mentais, perda da memória, de peso e da sensibilidade, doenças coronarianas e parestesia (sensação, ausente de estímulo externo, de formigamento e queimadura).

De acordo com Fisberg, o consumo desses micronutrientes é essencial para o metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras e para a formação do sangue. Também estão relacionados com o desenvolvimento e a manutenção do bom funcionamento do organismo humano. "A preocupação em proporcionar ingestão em quantidades satisfatórias dessas vitaminas, e, consequentemente, reverter os quadros de sua deficiência, se dá por suas importantes e imprescindíveis funções ao organismo", diz o nutrólogo.

Gestantes
Apesar da importância e da especificidade de cada um desses micronutrientes, a vitamina B9, também conhecida como ácido fólico, merece fundamental recomendação para dietas de mulheres grávidas, "pois se caracteriza numa grande arma contra a má formação fetal, principalmente nos três primeiros meses da gravidez", alerta Fisberg, citando pesquisa recentemente feita em São Paulo, que indicou um índice de carência nutricional da substância em cerca de 64,4% das 363 gestantes observadas.

Os desdobramentos do déficit nutricional de ácido fólico na gestação são a má formação da coluna vertebral, anencefalia (ausência de cérebro), anemia e problemas no desenvolvimento do feto. Estudos demonstram que mulheres com boas reservas dessa substância possuem chances superiores a 90% de gerarem filhos sem riscos de ocorrência das doenças congênitas relacionadas à formação do sistema cardiovascular e do tubo neural, responsável pela constituição da medula espinhal e do cérebro entre os 18º e 26 º dias da gravidez. Além disso, ressalta dr. Mauro Fisberg, o ácido fólico reduz a sensação de enjôos e melhora a qualidade do leite materno.

As fontes naturais do ácido fólico são os cereais (pães, massas, arroz), as leguminosas (ervilha, feijão, lentilha), as folhas verdes (brócolis, espinafre, couve), as frutas cítricas (laranja, limão, mexerica), fígado, gemas de ovo, carnes magras, etc. "O acondicionamento e o prolongado cozimento dessas fontes naturais pode dissipar cerca de 90% do ácido fólico presente nesses alimentos. Deve-se evitar ainda o uso abundante de sal, água e óleo", afirma o nutrólogo.

Ele ainda adverte que, mesmo com uma a dieta equilibrada, é provável que a gestante não possua quantidades suficientes da substância em seu organismo. "Por esse motivo, há a necessidade de suplementação do ácido fólico, principalmente para as fumantes, as que ingerem bebidas alcoólicas e as que tomam anticoncepcionais", conclui Fisberg.

Mauro Fisberg é chefe do Centro de Adolescentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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