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Alimentação
Saudável Melhora Qualidade de Vida De acordo com a Organização Mundial de Saúde, metade da população mundial tem o que é chamado de "fome oculta". A pediatra e nutróloga do Ministério da Saúde, dra. Clara Brandão, explica que essa fome vem da dificuldade de acesso a uma alimentação de qualidade. Durante palestra no Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz (realizada recentemente na Faculdade de Saúde Pública da USP), a médica explicou que uma boa nutrição é importante para a qualidade de vida e até para a auto-estima. Quando alguém entende que pode melhorar a alimentação da família, sente que está fazendo mais por quem ama e fica mais seguro. O mesmo acontece com quem recebe este cuidado. Segundo ela, não é preciso trocar alimentos e sim utilizar com mais variedade: "Carne, leite, ovo e peixe não são alimentos essenciais para a saúde e o crescimento. Podemos usar vegetais em quantidade e combinações adequadas para adaptar a alimentação ao orçamento da família." Outra informação importante: "Comer é o único prazer que usa os cinco órgãos dos sentidos. Por isso é complicado mudar hábito alimentar. Nós não trabalhamos mudança de hábito, seria como entrar em uma guerra para perder. O melhor é acrescentar, motivar para um novo hábito alimentar". Ela diz que em um país do tamanho do nosso, praticamente sem inverno, não se justifica ter tanta comida e ter tanta fome: "Precisamos pesquisar os métodos existentes para preservar alimentos nas safras. Todos devem ajudar nessa pesquisa. Por exemplo: no Nordeste e Minas, eles pegam a terra de formigueiro, molham e passam o feijão todo nesta terra. Colocam para secar e o bicho não come este feijão. Esse tipo de soluções regionais precisam ser divulgadas." O aproveitamento de alimentos deve ser utilizado em todas as regiões. A médica comenta que em São Paulo, é comum o desperdício de temperos como salsa, cebolinha, tomate e pimentão no Ceasa. A sugestão dela é que esses temperos sejam transformados em sal temperado para que pudesse ser enviado para escolas e creches. "Se desidratados fica mais fácil ainda a utilização". Antes de partir para políticas públicas, é preciso que cada um trabalhe em sua casa para garantir uma alimentação com alto valor nutritivo, custo baixo, sabor regionalizado e preparo rápido. "A mulher não deve gastar mais do que 30 minutos do momento em que coloca as coisas em cima do balcão e serve. E o ideal é fazer o pré-preparo, com a participação de toda família." A médica também alerta sobre a importância de utilizar os alimentos encontrados no Brasil: "Vamos usar a mandioca, ela é essencialmente brasileira, não usa agrotóxico, todo pequeno produtor tem capacidade para produzir e ainda é uma fonte de zinco, ferro, magnésio e vitamina A . Tem propriedades especiais: ajuda na contração da musculatura uterina e na eliminação da placenta; pode prevenir a hipertensão gravídica, a anemia e o câncer da próstata. Folhas verde-escuras, segundo ela, são as melhores para a nutrição e contêm clorofila. "Estamos trabalhando para incentivar o que chamamos de agricultura urbana e peri-urbana. Toda arborização das cidades pode ser feita com plantas comestíveis. Podemos aprender a fazer brotos em casa". Entre as dicas de Clara, está a utilização do farelo, que melhora a função intestinal e traz muitos outros benefícios. Lembrando a frase de Hipócrates, ela recomenda: "Que teu alimento seja teu remédio, e teu remédio seja teu alimento." Dicas |
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