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Sarna e Piolhos na escola - os professores podem ajudar a evitar
Quando se discute saúde, atualmente, muito se fala em prevenção. Estatísticas mostram que grande parte das doenças de brasileiros que ocupam os leitos hospitalares públicos poderiam ser evitadas se tomássemos medidas preventivas simples. Projetos como Prevenção também se Ensina, da Secretaria de Educação e FDE, em parceria com a Secretaria da Saúde, mostram que educadores podem ser agentes de prevenção. Mas não é preciso esperar iniciativas como essa para ser um professor agente, para ensinar hábitos tão simples quanto importantes. Saúde é básico e problemas corriqueiros podem interferir nela, mesmo que em menor grau. Prevenção é um hábito que se aprende e quanto antes esse aprendizado acontecer, melhor para o indivíduo. Não há escola que nunca tenha se deparado com piolhos, sarna ou alunos com maus hábitos de higiene. É importante que os professores estejam cientes de que sua orientação pode mudar essas realidades. A escola pode e deve ser agente de prevenção. A idéia não é estigmatizar e isolar as crianças que tiverem estes problemas, mas transmitir-lhes apoio e orientação. Para isso é necessário que os professores estejam informados sobre o que é, como se transmite e, sobretudo, como se evita determinada doença. Fomos buscar com especialistas estas informações tão importantes. SARNA O contágio se dá pelo contato com a pele infectada ou pelo uso comum de roupas pessoais, toalhas ou roupas de cama. Durante o tratamento, que pode ser tópico ou via oral, as roupas, inclusive de cama e banho, devem ser trocadas diariamente, lavadas e passadas a ferro bem quente. É preciso também não esquecer de escovar as unhas das crianças com sabonete acaricida para retirar os parasitas que ali se depositam quando a criança coça as lesões para evitar recontaminação. Além do mais, a manipulação das lesões pode levar à infecções mais sérias PIOLHOS Sempre é bom lembrar que, em cabelos longos, o tratamento é mais difícil, portanto, o ideal é mantê-los curtos ou presos. Outra recomendação é a de examinar semanalmente a cabeça da criança, a fim de detectar precocemente a presença do parasita. Higiene e observação Água, sabão e sol são três elementos fundamentais para a higiene pessoal e do ambiente, vital para evitar este tipo de infecção. Ao notar que alguma criança possui hábitos de higiene duvidosos, é importante orientá-la, e à sua família, de forma a reverter o quadro. É fundamental a troca regular de roupas pessoais, de cama e banho e sua lavagem com água e sabão. A exposição ao sol também livra travesseiros, cobertores e colchões de ácaros, fungos, bactérias e outros organismos nocivos ao ser humano. A presença de animais domésticos dentro de casa também deve ser monitorada; os animais devem ser mantidos limpos e bem observados, para evitar que se transformem em agentes de contágio não só de sarna, mas também de doenças mais sérias. Finalmente a orientação médica, fundamental para o correto diagnóstico e, consequentemente, para o correto tratamento. Procurar um médico vai evitar que sejam usados medicamentos inadequados, que podem, inclusive, aumentar os gastos sem surtir o efeito desejado. Saiba mais Carlos Eduardo Ryuji Nishio é dermatologista, formado pela UNIFESP (Escola Paulista de Medicina), membro do grupo de cirurgia dermatológica do Departamento de Dermatologia daquela instituição e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia. AMcC - Quais são as principais doenças de pele comumente transmitidas no contato escolar. Além de piolhos e sarna há alguma outra que tenha essa mesma facilidade de contágio? Esse tipo de doença pode trazer algum dano maior à saúde? Dr. Carlos - Além da Pediculose, que é a infestação por piolhos, a Escabiose (Sarna), o Molusco Contagioso e a Tinha de Cabeça são facilmente transmitidas durante a idade escolar. Nenhuma delas é considerada doença grave, entretanto, se não adequadamente tratadas, podem evoluir com infecção bacteriana secundária. Fato bastante comum, tendo em vista que as crianças habitualmente manipulam as suas lesões com freqüência. A Escabiose é causada por uma ácaro denominado Sarcoptes scabiei. O principal sintoma é o prurido que, em geral, é pior durante o período noturno. Na pele podemos encontrar as lesões que se concentram nos espaços interdigitais das mãos, cintura, nádegas e pênis. É comum, encontrarmos familiares com quadro semelhante no mesmo período. A Pediculose é causada por um pequeno inseto. Durante a infância é comum a infestação do couro cabeludo. O quadro consiste em prurido associado ao achado do parasita e de seus ovos (lêndeas) nos fios do couro cabeludo. O Molusco Contagioso é uma virose que acarreta no aparecimento de pequenas pápulas (elevações da pele) assintomáticas, cor da pele, em geral, no tronco da criança. O diagnóstico é basicamente clínico, não sendo necessários outros exames. O tratamento de escolha é a curetagem que deve ser realizada em consultório dermatológico. As Tinhas do couro cabeludo são micoses que se caracterizam por áreas ovaladas com rarefação dos cabelos das crianças. Neste tipo de lesão ocorrem danos aos cabelos, que ficam quebradiços e mais curtos, dando a impressão de que foram aparados naquele local. É necessária a confirmação diagnóstica através do exame micológico direto e da cultura para fungos, que auxiliam o dermatologista na terapêutica da moléstia. O uso de medicamentos tópicos é ineficaz no combate a este tipo de micose. AMcC - Que medidas preventidas podem ser tomadas para evitar o contágio? AMcC - Como tratar essas doenças. Existe alguma solução caseira que possa ser empregada para diminuir os sintomas ou resolver o problema? AMcC - Quais são os cuidados básicos que a escola deve ter para evitar a incidência destas doenças nos alunos? Como a escola pode ajudar a prevenir?
Dr. Roberto Barbosa Lima SARNA O tratamento também pode ser realizado por via oral, sob a forma de comprimidos tomados em dose única. Pode ser necessária a repetição após 1 semana. Em casos resistentes ao tratamento, pode-se associar os tratamentos oral e local. As roupas de uso diário e as roupas de cama devem ser trocadas todos os dias, colocadas para lavar e passar a ferro. Todas as pessoas da casa que tiverem qualquer tipo de coceira devem se tratar ao mesmo tempo, para evitar a recontaminação. As unhas devem ser escovadas com sabonetes acaricidas para a retirada de parasitas ali depositados pelo ato de coçar. Para evitar a doença não use roupas pessoais, roupas de cama ou toalhas emprestadas, evite aglomerações ou contato íntimo com pessoas de hábitos higiênicos duvidosos. Em pessoas com bons hábitos higiênicos, a sarna pode ser confundida com outras doenças que causam coceira, devendo o diagnóstico correto ser realizado por um médico dermatologista que indicará o tratamento ideal para cada caso. PIOLHOS A lavagem da cabeça e utilização de pente fino ajuda na retirada dos piolhos. As lêndeas devem ser retiradas uma a uma, já que os medicamentos muitas vezes não eliminam os ovos. Para facilitar a retirada das lêndeas, pode ser usada uma mistura de vinagre e água em partes iguais, embebendo os cabelos por meia hora antes de proceder a retirada. Em crianças que freqüentemente aparecem com piolhos, recomenda-se manter os cabelos curtos e examinar a cabeça em busca de parasitas, usando o pente fino sempre que chegarem da escola que é, geralmente, o principal foco de infecção. As meninas de cabelos compridos devem ir à aula com os cabelos presos. A escola deve ser comunicada quando a criança apresentar a doença para que os outros pais verifiquem a cabeça de seus filhos, de modo que todos sejam tratados ao mesmo tempo, interrompendo assim o ciclo de recontaminação. Dra. Rosa Maria Auxiliadora Correa - Pediatra SARNA Trata-se de doença muito comum em crianças, em que o sintoma mais importante é o prurido, mais intenso à noite, condicionando o paciente à coçadura intensa. Na pele a lesão é representada por pequenos caroços que coçam muito e podem aparecer no corpo todo, porém, são mais comuns entre os dedos, nos punhos, nas axilas, ao redor da cintura, nos genitais, e na mulher, no bico dos seios. Vale observar que, em meninos, pequenas feridas que venham surgir no pênis e escroto, acompanhadas de coceira intensa, são quase sempre causadas pela sarna. A sarna se transmite através do contato com a pele infectada de outra pessoa ou através da roupa de uso pessoal ou da cama. Importante assinalar que devem ser tratados todos os membros da família, mesmo que não apresentem a coceira. O tratamento consiste na utilização de medicamentos de fácil obtenção em farmácias (benzoato de benzila, monosulfiran entre outros), porém, é sempre aconselhável a avaliação médica para não correr o risco de falsos diagnósticos, induzindo a erro de tratamento. Os medicamentos devem ser utilizados durante quatro noites seguidas, após o banho, repetir nova série após 3 dias. As roupas íntimas e de cama devem ser trocadas e expostas ao sol ou fervidas, mesmo após o término do tratamento. PIOLHO PEDICULOSE é o nome científico da infestação pelo Pediculus humanus capitis, popularmente conhecido como piolho. A afecção é contagiosa, exclusiva do homem, e se manifesta através de prurido intenso no couro cabeludo, principalmente na nuca e região occipital. É aconselhável examinar a cabeça das crianças pelo menos uma vez por semana, a fim de se identificar o parasita o mais precocemente possível. Ao primeiro sinal, iniciar o tratamento imediatamente. Aliás, cabe o alerta para que toda queixa de prurido intenso na cabeça, particularmente em crianças, deve ser motivo de exame meticuloso a fim de afastar possível pediculose. Em geral os medicamentos comercializados com indicação para escabiose, sob a apresentação de loções ou xampus, são eficazes (benzoato de benzila e monosulfiran principalmente). Após lavar a cabeça, faz parte do tratamento retirar as lêndeas com um pente fino. Para a remoção deve-se usar uma solução misturando 2 colheres (sopa) rasas de sal com 1 copo de vinagre morno. Molhar bem a cabeça com esta solução e deixar por cerca de 4 horas, de preferência cobrindo a cabeça inteira com um pano úmido e morno. |
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