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dentro da bulimia: um transtorno alimentar que acomete principalmente
as mulheres

Bulimia
e anorexia são prováveis temas a serem explorados na próxima
novela das 21h da TV Globo, que por enquanto se chama Belíssima.
Faz parte dos planos do autor Sílvio de Abreu abordar os assuntos
na novela que substituirá América, pois a trama envolve
uma agência de modelos. Como se trata de ficção,
o objetivo maior não é informar ou formar, e sim divertir
o público; cabe à comunidade médica esclarecer
a população a respeito destes temas.
De acordo com a endocrinologista e nutróloga, Ellen Simone Paiva*
"a bulimia nervosa caracteriza-se por grande e rápida ingestão
alimentar com sensação de perda do controle durante os
acessos bulímicos. Estes ocorrem duas ou três vezes por
semana e são geralmente acompanhados por atitudes compensatórias
para o controle de peso, como o uso de medicamentos - diuréticos,
laxantes e inibidores de apetite - excesso de exercícios físicos,
realização de dietas drásticas, longos períodos
de jejum e vômitos induzidos", alerta a médica. Entretanto,
nem todos os pacientes com bulimia nervosa induzem vômitos, e
aqueles que o fazem dificilmente assumem o fato.
Para esclarecer melhor as características da doença e
as possibilidades de tratamento, Ellen Simone Paiva, baseia-se na descrição
de comportamentos típicos de quem sofre com o problema.
O dia-a-dia
AJN, 25 anos, esteve bem durante todo o dia. Tomou café da manhã
corretamente, até um pouco menos do que devia; fez 3 horas de
academia, um pouco mais do que devia; e almoçou como aprendeu
na dieta.
São 15 horas e todos saíram de casa. AJN começa
a sentir um grande vazio. Angustiada e aflita, ela se dirige à
cozinha, abre a geladeira e começa a comer. Inicialmente, come
o restante do queijo branco, depois um iogurte, uma maçã,
duas pêras e o último iogurte...
O mal-estar não passou. Está ainda pior. Recomeça,
agora, a comer o restante do pêssego em caldas, pão de
forma com maionese e toma leite com achocolatado. Tenta voltar à
sala, ligar a televisão, mas não consegue se concentrar.
Volta à cozinha, abre uma lata de leite condensado e termina
com ela sentada em frente à TV. Não saberia dizer ao certo
a que está assistindo. Não está ali o objeto de
sua atenção. De volta à cozinha e, não achando
nada mais interessante, pega o restante do arroz cozido na geladeira
e o devora todo.
Se antes o mal era psíquico e mal-definido, agora ele se acompanha
de mal-estar físico, caracterizado por sensação
de empachamento e de grande arrependimento e culpa: "Estraguei
todo o dia que havia começado tão bem".
Começa, então, a beber água, refrigerante e, finalmente,
o resto do leite. Após o último gole, seguindo o ritual,
dirige-se ao banheiro e vomita.
Características
"Os transtornos alimentares reforçam a necessidade da mulher
manter o seu equilíbrio emocional, que constantemente encontra-se
em risco frente ao medo, transformado em pavor, de engordar" afirma
Ellen.
A bulimia acomete predominantemente o sexo feminino, mais especificamente
casos em que a preocupação excessiva com o peso e a forma
corporal são a regra. O aparecimento da doença dá-se
no final da adolescência, início da idade adulta.
Segundo Ellen "na bulimia, diferente da anorexia nervosa, as pacientes
não são facilmente identificadas. Bulímicas não
assumem seu transtorno alimentar e até se envergonham dele, ao
contrário das anoréxicas, que mostram suas faces e seus
tórax esqueléticos livremente, como que desafiando a percepção
de todos".
A paciente bulímica muitas vezes realmente tem sobrepeso e até
obesidade. As bulímicas tentam compensar seu vazio interno com
o excesso de alimentos. Comem de forma alucinada, desregrada, compulsiva,
buscando uma sensação de preenchimento e uma diminuição
da angústia. "A sua marca emocional é a falta do
controle das próprias emoções. Apesar disso, são
festivas, alegres, sociáveis e namoradeiras. Freqüentam
os consultórios dos endocrinologistas e nutrólogos durante
anos, sem manifestarem sintomas compulsivos e purgativos" afirma
a endocrinologista.
A purgação é uma característica marcante
da bulimia e se caracteriza pela auto-indução de vômitos,
uso indevido de laxantes, diuréticos e enemas. A bulimia pode
apresentar-se, também, sem purgação, quando períodos
de compulsão alimentar acompanham a prática de exercícios
físicos exaustivos e jejuns prolongados. Todas essas atitudes
têm o objetivo de compensar os períodos de compulsão
alimentar.
Com 24 anos de profissão, a médica afirma que "a
bulimia comumente vem acompanhada - como os demais transtornos alimentares
- de elevadas taxas de incidência de transtornos afetivos como
a depressão, de transtornos ansiosos como a ansiedade generalizada,
a fobia social e o transtorno obsessivo-compulsivo". É muito
comum ainda o abuso de álcool e drogas, afirma Ellen.
Tratamento
O tratamento da bulimia nervosa, assim como o de todos os transtornos
alimentares, envolve a equipe multidisciplinar de atendimento composta
por médico, nutricionista e psicólogo ou psicanalista.
A terapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia e a psicanálise
podem ser utilizadas juntamente com a orientação nutricional.
Alguns medicamentos, principalmente alguns antidepressivos e sacietógenos
podem ser aliados importantes do tratamento. Fundamental também
é o papel da família como suporte no tratamento desses
pacientes, fornecendo apoio e compreensão, evitando atitudes
de julgamento e crítica.
*Ellen
Simone Paiva é profisisonal do CITEN - Centro Integrado de
Terapia Nutricional, cujo telefone é (11) 5579.1561.
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