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Alimentação
saudável e o uso de suplementos nutricionais: duas questões
importantes na terceira idade Por Ellen Simone de A. O. Paiva Estamos envelhecendo. O Censo 2000 do IBGE aponta a existência de cerca 14,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais nos dias de hoje, o equivalente a 8,6% da população do Brasil. Em 2050, a previsão é de que vamos chegar a 260 milhões de brasileiros, com 20% na faixa considerada terceira idade. Já vivemos, em média, 68 anos e precisamos nos adaptar a essa nova fase da vida, que pode ser melhor, quando gozamos de boa saúde. À medida que envelhecemos, nos tornamos mais vulneráveis do ponto de vista nutricional. Precisamos encarar isso com bom humor e otimismo, pois já contamos com profissionais especializados que podem nos auxiliar nesta etapa da vida. A primeira implicação nutricional na terceira idade está relacionada às necessidades calóricas. Elas realmente são menores, em média 100 calorias a menos por década de vida. Essa diminuição gradativa nas necessidades calóricas é um processo lento, que casa-se muito bem com a gradual redução na ingesta alimentar do idoso. Portanto, para evitarmos a obesidade ou a desnutrição na terceira idade, o balanceamento da dieta requer um pouco mais de cuidado, a cada ano que passa. Alimentação
diferenciada Uma das mais significativas alterações na composição corporal do indivíduo durante o processo do envelhecimento é a perda progressiva da massa magra. A massa magra é todo o peso corporal subtraído o peso da gordura, ou seja, equivale aos nossos ossos, água corporal, vísceras e músculos. A composição corporal pode ser avaliada por meio de um exame prático e barato, a bioimpedância. Os idosos sofrem uma perda progressiva de massa muscular e, portanto, de massa magra. Esta perda de massa muscular é causada por vários fatores, dentre eles podemos destacar a inatividade física e a progressiva redução da ingesta alimentar. Nesses casos, somente idosos em programas de recuperação muscular, que praticam atividades físicas conseguem um aumento eficiente da ingesta alimentar, com perda menor da massa magra. As necessidades de hidratação dos idosos são semelhantes às dos adultos jovens, ou seja, 30ml/kg/dia. A hidratação é muito importante para pacientes cronicamente enfermos, com dificuldade de acesso à água, principalmente àqueles com perdas extras de líquido pelo uso de diuréticos e laxantes. Muitos estudos mostram a alta incidência de hospitalizações de idosos em conseqüência de desidratação. O idoso, geralmente, tem maior necessidade de micronutrientes e de algumas vitaminas, como é o caso do cálcio e da vitamina D, cuja falta afeta a densidade mineral ósse, aumentando o risco de sofrer com osteoporose e fraturas. Outra vitamina que deve ser dosada em idosos é a B12, pois não é raro encontrarmos pacientes com baixas concentrações desta vitamina no organismo, causadas pela ingestão insuficiente dela ou pela má absorção da mesma pelo organismo. A dosagem de vitamina B12 deve fazer parte do tratamento de idosos com alterações cognitivas (dificuldade de memorização, organização de idéias e aquisição de conhecimentos) e do diagnóstico diferencial das demências, pois a carência desta vitamina leva a um quadro de alterações comportamentais sugestivas da doença de Alzheimer. Suplementos alimentares Durante muito tempo, estes antioxidantes foram usados como suplementos alimentares na esperança de prevenir doenças cardiovasculares, infarto agudo do miocárdio, retardo do envelhecimento e na prevenção do aparecimento do câncer. Este tipo de uso dos antioxidantes não é mais recomendável nos dias de hoje. Estudos recentes apontam que os suplementos, quando ingeridos em megadoses, além de não serem protetores do organismo, podem causar danos ao próprio DNA - caso da vitamina C - e podem aumentar a taxa de mortalidade - caso da vitamina E. Estudos mais recentes também não apontam evidências dos benefícios do uso diário de altas doses de suplementos de vitamina C para prevenir qualquer doença. Doses diárias de vitamina C de 500mg ou mais podem, inclusive, causar danos oxidativos ao nosso DNA, causando um efeito contrário do que o paciente espera. Além disso, não há motivos para suplementar vitamina C como antioxidante, uma vez que 100g de maçã com casca tem o poder antioxidante de 1,5g de vitamina C. O beta caroteno também foi exaustivamente usado em suplementações de antioxidantes. No entanto, há 10 anos, o estudo ATBC Study publicado no The New England Journal of Medicine, realizado com 29.000 homens fumantes lançou por terra esta atribuição dada à vitamina, ao registrar um aumento da mortalidade entre os usuários de beta caroteno, além de maior incidência de câncer de pulmão. Esses resultados levaram inclusive à interrupção precoce do estudo. Entre os carotenóides, muita ênfase é dada ao licopeno. É verdade que a maioria dos estudos tem revelado uma menor incidência de câncer de próstata em homens que consomem esse antioxidante. Mas os suplementos industralizados e manipulados de licopeno têm menor efeito do que o tomate in natura, e este, menor efetividade que o molho de tomate. Logo, licopeno funciona, tomate funciona mais e molho de tomate funciona ainda mais. A melhor dieta Faço
minhas as palavras da American Dietetic Association, que prega que "a
melhor estratégia nutricional para a promoção da
saúde e redução do risco de doenças crônicas
é o consumo de uma grande variedade de alimentos. O uso adicional
de vitaminas e sais minerais,vindos de alimentos fortificados ou suplementos
deve apenas auxiliar a atingir as necessidades nutricionais, baseadas
nas conhecidas quantidades recomendadas de ingestão". Ellen
Simone A. O. Paiva é endocrinologista e nutróloga. |
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