260 mil morrem por má alimentação

Até 260 mil mortes anuais poderiam ser evitadas com uma dieta equilibrada, é o que revela o Guia Alimentar para a População Brasileira, que será lançado na Semana Mundial de Alimentação (16 a 22 de outubro), pelo Ministério da Saúde. A publicação contém as primeiras diretrizes alimentares oficiais do Brasil. As deficiências nutricionais e as doenças infecciosas são problemas tratados como prioridades de saúde pública no país. A versão preliminar está disponível no site do ministério. As mortes são referentes a doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

Os dados disponíveis nesse trabalho também permitem visualizar para qual direção segue a dieta da população. Um dos dados curiosos é a mostra de que o país vem deixando gradativamente o prato popular do arroz e feijão. A tendência do consumo do prato está em queda desde 1974, caindo 31% até 2003. O regime alimentar vem sendo substituído por refeições que não atendem a demanda nutricional do corpo. O consumo de refrigerantes, por exemplo, aumentou em 400%. As refeições prontas e misturas industrializadas aumentaram sua participação em 82% no período, indicando uma mudança no comportamento alimentar.

A edição se baseia na noção de que a alimentação se dá em função do consumo de alimentos e não de nutrientes, ou seja, uma alimentação saudável deve estar baseada em práticas alimentares que tenham significado social e cultural. Os alimentos têm gosto, cor, forma, aroma e textura e todos esses componentes precisam ser considerados na abordagem nutricional. Logicamente, os nutrientes são importantes, mas os alimentos não podem ser resumidos a veículos deles, pois agregam significações culturais, comportamentais e afetivas singulares que jamais podem ser desprezadas. Portanto, o alimento como fonte de prazer e identidade cultural e familiar também é uma abordagem necessária para promoção da saúde.

O guia é subdividido em uma apresentação dos problemas causados pela utilização de uma dieta má balanceada. Serão tratados temas como doenças crônicas e a questão do aleitamento materno. Em um segundo momento, a publicação traz informações sobre como deve ser a utilização dos alimentos na dieta do brasileiro, com dicas para as famílias, para os profissionais de saúde e para as estratégias dos gestores públicos. Ali, será possível identificar que, na alimentação, de 55% a 75% do valor energético deve vir dos carboidratos (45-65% devem ser provenientes de carboidratos complexos e fibras e menos de 10%, de açúcares livres (ou simples) como açúcar de mesa, refrigerantes e sucos artificiais, doces e guloseimas em geral). Outros 15% a 30% devem vir de gorduras (ou lipídios) incluem uma mistura de substâncias com alta concentração de energia (óleos e gorduras), que compõem, em diferentes concentrações e tipos, alimentos de origem vegetal e animal. E as proteínas devem compor de 10% a 15% da dieta.

Em tópicos específicos, a obra abordará o uso correto dos seguintes alimentos:
1 - cereais, tubérculos e raízes;
2 - frutas, legumes e verduras;
3 - feijões e outros alimentos vegetais ricos em proteínas;
4 - leite e derivados, carnes e ovos;
5 - gorduras, açúcares e sal;
6 - água

Em tópicos especiais, abordará a importância da atividade física para o bom funcionamento do corpo. Chama a atenção para o fato de que, em estimativa, 70% da população brasileira faz muito pouco ou quase nenhum exercício. Ainda traz importantes contribuições para avaliar os rótulos de embalagens, para diferenciar produtos light e diet e para ressaltar cuidados ao comprar os alimentos, entre outras informações.

Finalmente, Guia Alimentar para a População Brasileira traz estudos e avaliações sobre a nutrição brasileira, em que se verificará que as doenças crônicas no país aumentaram de 34,4% do total da população para 48,3%, entre 1979 e 2003.

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