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Pirâmide
invertida
O principal
problema detectado pelo estudo está na apresentação
correta da pirâmide alimentar. Importante instrumento teórico
utilizado por nutricionistas em todo o mundo, o conceito geométrico
é fundamental para indicar uma dieta equilibrada. Os alimentos
que estão mais no topo da figura devem ser consumidos em quantidades
mínimas. Os que aparecem na base devem ser ingeridos com grande
freqüência. "Apenas
29% dos professores entrevistados acertaram a localização
e a função exata dos alimentos na pirâmide alimentar",
disse Patrícia à Agência FAPESP. "A maioria
colocou na base frutas, verduras e proteínas, no lugar dos carboidratos,
que foram citados em último lugar." Para
a nutricionista, outro equívoco notado foi a associação
freqüente entre massas e pães com o risco de desenvolver
obesidade. Com as informações alimentares equivocadas,
os alunos acabam aceitando a idéia de que a única forma
de ter uma alimentação saudável é consumindo
frutas, verduras e carnes. "Isso faz parte do conceito 'light',
que é uma forte tendência atual, mas os carboidratos nunca
devem ser excluídos da dieta, pois são essenciais para
fornecer a energia primária de que o organismo necessita",
alerta. A pesquisadora
lembra que a base da pirâmide alimentar deve conter carboidratos
como massas, pães e cereais. Logo em seguida, entram as frutas
e hortaliças para, em um nível superior, aparecerem os
alimentos protéicos como leite, ovos e carnes. "No topo
devem estar os energéticos extras, constituídos pelas
gorduras e açúcares", explica. O estudo
indica que a culpa não está apenas nos educadores, mas
também nas fontes de consulta. "Eles se atualizam em primeiro
lugar nos livros didáticos e, em segundo lugar, pela mídia",
afirma Patrícia. A pesquisadora analisou 48 livros didáticos
do ensino fundamental utilizados pelos entrevistados. "Nenhum deles
cita a pirâmide alimentar como referência. Todos se baseiam
apenas em um modelo nutricional extremamente desatualizado, da década
de 1970, conhecido como roda dos alimentos", adverte. O estudo Noções conceituais e práticas educativas em alimentação e nutrição dos professores de 1ª a 4ª séries do Distrito Federal foi apresentado como dissertação de mestrado no Departamento de Nutrição (NUT) da Universidade de Brasília (UnB). A orientação foi de Denise Oliveira, da Função Oswaldo Cruz (Fiocruz). |
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