| Respirar
sem barreiras Fonte:
Revista Fapesp (Iracema Corso) Se a musculatura da região da úvula - aquela bolinha no fundo da garganta, conhecida como campainha - fica mais flácida e as amígdalas maiores, a respiração durante o sono se complica. O ar tem dificuldade de entrar e, quando a pessoa força a respiração, o resultado é aquele barulho desagradável que todos conhecem: o ronco. Além
de incomodar quem está por perto, ele é sinal de má qualidade
de sono. Quando ocorre o esforço respiratório e o ar não
passa, porque a via aérea encontra-se fechada, sobrevém a apnéia,
eventos que duram mais de 10 segundos, sendo considerados anormais ao ultrapassarem
a freqüência de cinco ocorrências por hora. "Roncar é,
no mínimo, sintoma de apnéia do sono", explica o odontólogo
Eduardo Rollo Duarte. Em seu projeto de doutorado na Universidade de São
Paulo (USP), ele desenvolveu um tipo de placa intra-oral para ser colocada no
interior da boca à noite e reduzir a apnéia e o ronco. A função da placa intra-oral, feita à base de resina acrílica, é desobstruir esse caminho. Depois de produzida, ela foi testada em 15 pacientes com a idade média de 49 anos que apresentavam apnéia moderada e leve (de 5 a 30 interrupções por hora de sono). Antes do tratamento, os pacientes fizeram uma polissonografia, exame para uma avaliação completa do sono dos pacientes, realizada na Clínica de Distúrbios do Sono, em Bauru. Novo teste foi repetido um ano após o uso da placa e mostrou que 93% dos pacientes tiveram uma redução de 77%, em média, na freqüência de apnéia. Radiografias digitalizadas também indicaram aumento nas dimensões da via aérea superior e os próprios pacientes relataram que a sonolência diurna diminuiu. "Uma das vantagens do aparelho é controlar o problema, evitando uma intervenção cirúrgica", diz a professora da Faculdade de Odontologia da USP, Maria Luiza Arantes Frigerio, orientadora de Duarte. O
uso de placas intra-orais já é uma prática bem difundida
no exterior. Por volta da década de 1980, as primeiras placas produzidas
nos Estados Unidos não permitiam ajustes e, por isso, podiam provocar problemas
na articulação mandibular. Hoje a agência responsável
pela análise e liberação de medicamentos naquele país,
a FDA na sigla em inglês, já possui cerca de 20 tipos de placa aprovados
para uso. A primeira brasileira vai ficar mais barata que a importada. A simplicidade
do design e a resina acrílica permitem que ela seja feita por um cirurgião-dentista
especialista em prótese dental. Outra vantagem é que, por ser ajustável,
como outros modelos mais modernos, a placa tem uma chave que controla a abertura,
ou o avanço da mandíbula. Apesar das facilidades, Duarte enfatiza
que não faz sentido pensar no material desenvolvido de maneira isolada.
"O uso da placa só é eficaz quando associado a um tratamento
do distúrbio do sono, que deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar
formada por médicos e dentistas da área de sono." 19/01/07 |
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