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Cuba ganha fácil
Mais crítica que o marido, Paula Lavigne interrompe para dizer que viu Cuba perto de se transformar numa Disney socialista: Em breve vai ter gente fantasiada de Fidel, fumando charuto e posando para fotografia igual Mickey. Paulinha fez essa piada do Disney do socialismo, mas não é preciso ser muito cínico para considerar que o socialismo também constitui uma espécie de atração turística, retruca Caetano. Não sei se manterão o socialismo por muito tempo, mas por enquanto existe. E não se sabe que caminhos o mundo vai tomar, essas coisas não são simples como os liberais procuram dizer. São bem mais complicadas. Sobre a difícil situação da Cuba de hoje, Caetano acha que deve ser relativizada: Mesmo quando, em 1968, Caetano e Gil foram presos pelos militares e convidados a seguir para o exílio, os tropicalistas já não se pautavam pela cartilha da esquerda ortodoxa. Mas como Caetano lembra agora, as referências à ilha caribenha no disco-manifesto Tropicália eram óbvias. Tropicália tem Três caravelas, canção cubana que canto em espanhol e Gil a versão em português (de João de Barro), o que dá uma ironia. A letra em português traz a história para o Brasil, foi Emilinha Borba que gravou. E a letra original é a descoberta da América que se dá na região de Cuba. A gente via a revolução cubana como uma miragem de esperança, enquanto o Brasil estava sob uma ditadura de direita, conta. E tem Soy loco por ti, América, homenagem a Che Guevara. Mas a ligação com Cuba é muito anterior à revolução. Algo que em 1983, na letra de Quero ir a Cuba, Caetano sintetizou: Cultos afros reafirmam parentesco de Brasil e Cuba
Com efeito, o bisavô Ibrahim Ferrere sua história muito e sua história muito fazem lembrar o nosso Cartola, mitológico compositor que foi um dia descoberto, vivendo de lavar carros, para só então, já de cabelos brancos, gravar seu primeiro LP que logo alcançou o sucesso. O cantor cubano que alcançara êxito no tempo dos cassinos, anteriores à revolução cubana, trabalhava como engraxate em 1997 no centro de Havana-Velha. Lançado mundial-mente, já vendeu 2 milhões de cópias de um CD considerado dos melhores de 1999. Compara-se a um Nat King Cole pela suavidade de suas interpretações. |
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